Ornitorrinco: Características e curiosidades sobre um mamífero invulgar.

Os ornitorrincos são dos animais mais invulgares do nosso planeta. Aliás, são tão invulgares, que quando foram descobertos em 1798, a comunidade científica pensava que este animal se tratasse de uma fraude. O Ornitorrinco tem características tão invulgares que foi preciso quase uma década para conseguirem determinar a que classe pertencia.

As suas características físicas são o que tornam este animal tão peculiar. Os ornitorrincos têm um bico semelhante ao de um pato, uma cauda parecida com a de um castor, as suas patas são idênticas à de uma lontra. Para além disso, é um dos poucos mamíferos ovíparos e como se ainda não fosse estranho o suficiente, é um animal venenoso.

Características dos ornitorrincos:

ornitorrinco a nadar
Ornitorrinco. Imagem: Klaus
  • São mamíferos e os únicos animais que fazem parte da família ornithorhynchidae.
  • Estes animais podem atingir os 60 cm de comprimento e pesar até 2 kg, sendo que os machos são geralmente maiores que as fêmeas. Em cativeiro podem viver até aos 17 anos.
  • Os ornitorrincos e as equidnas, são os únicos mamíferos ovíparos, ou seja as sua crias nascem a partir de ovos.
  • São uma espécie monotípica, o que significa que não existem sub-espécies ou variedades diferentes de ornitorrincos.
  • A sua dieta baseia-se em crustáceos de água-doce, insectos, vermes e pequenos peixes.
  • Fisicamente caracterizam-se pela sua pelagem castanha escura, bico semelhante ao do pato, uma cauda parecida com a de um castor e patas idênticas à de uma lontra.
  • As crias de ornitorrinco nascem com pequenos dentes que não utilizam e que acabam por cair ainda antes de chegarem à idade adulta.
  • Os machos têm esporões nas suas patas que contêm veneno capaz de matar pequenos animais. Os machos são os únicos capazes de produzir este veneno e a sua produção é mais elevada durante a época de acasalamento, o que indica que este veneno também é usado como uma forma de demonstrarem superioridade sobre os outros machos.
  • Apesar de serem mamíferos, as fêmeas não possuem mamilos. As fêmeas secretam o leite através das glândulas mamárias e este acaba por sair pelos poros do seu corpo e escorrer pelo mesmo. As crias alimentam-se lambendo o leite que escorre pelo corpo da mãe.
  • Os ornitorrincos não têm estômago. O processo evolutivo fez com que estes animais perdessem o estômago, apesar dos cientistas não saberem porque motivo estes animais perderam o estômago ao longo dos vários anos de evolução. Acredita-se no entanto que isso tenha acontecido devido à alimentação simples do ornitorrinco.

Curiosidades sobre os ornitorrincos:

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Ornitorrinco. Imagem: Brisbane City Council
  • Quando este animal foi enviado pela primeira vez para Inglaterra para ser estudado, os cientistas achavam que o espécimen enviado tinha sido embalsamado e que se tratava de uma farsa. Muitos acreditavam que o exemplar apresentado era um mamífero ao qual tinha sido cosido um bico de pato.
  • Os ornitorrincos são animais tímidos e primariamente nocturnos. Geralmente iniciam as suas actividades ao anoitecer e continuam durante a noite. Durante o dia procuram abrigo em covas próximas de rios e lagos.
  • Passam uma grande parte do seu tempo dentro de água à procura de alimento. Aproximadamente 12 horas por dia.
  • Como os ornitorrincos não têm dentes, utilizam gravilha para os ajudar a “mastigar” os seus alimentos.
  • São capazes de ficar mais de 2 minutos debaixo de água, sem necessidade de vir à superfície para respirar.
  • Quando está dentro de água, o ornitorrinco utiliza a audição para caçar as suas presas, mantendo os seus olhos e narinas fechadas. Para além disso, é um dos únicos mamíferos que desenvolveu um sentido de eletrorrecepção e é capaz de localizar suas presas ao detectar campos eléctricos gerados por contracções musculares das suas presas.
  • Cientistas descobriram que os ornitorrincos partilham os seus genes com aves e répteis. No entanto, 82% do seu genoma é partilhado com outras espécies de mamíferos.
  • São animais endémicos da Austrália e Tasmânia. Podem ser encontrados na proximidade de lagos e rios na região leste e sudeste da Austrália e na Tasmânia.

Sabia que o leite de ornitorrinco contém uma potente proteína que pode ajudar a combater determinadas bactérias?

Ao longo do ultimo século, os antibióticos têm tido um papel fundamental no tratamento de vários tipos de infecções bacterianas. Contudo, todos os anos as bactéria vão criando resistências aos antibióticos existentes. Por isso é importante descobrir novos antibióticos capazes de combater estas bactérias, também conhecidas como super-bactérias.

Em 2010 cientistas australianos descobriram que existe uma proteína no leite dos ornitorrincos com propriedades anti-bacterianas. Actualmente, os cientistas conseguiram isolar essa proteína e estudar a sua estrutura para poder entender como funciona. Sendo o objectivo final de criar um novo antibiótico capaz de combater mesmo as bactérias mais resistentes.

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